Artigos sobre Psicologia Clínica e da Saúde

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Profissão do mês: Psicologia na linha da frente

Publicado a por
Sofia Soares Pereira

Entrevista para a revista Mais Educativa do mês de Setembro 2012:

Psicologia na linha da frente

Foi desde cedo que Sofia Soares Pereira se começou a interessar pela Psicologia, área em que ainda hoje trabalha – e com muito gosto. Atendendo a que a Organização Mundial de Saúde prevê que a depressão seja a principal doença do século, “não é difícil imaginar que quem devia estar na linha da frente deste enorme problema psicossocial seriam psicólogos e psiquiatras”, alerta esta profissional.

Quando é que percebeu que queria ser psicóloga?

No meu caso, desde cedo comecei a interessar-me pela Psicologia. Na minha adolescência manifestava alguma curiosidade sobre assuntos relacionados com a natureza mental do ser humano. Indagava-me sobre quais as motivações que estariam por trás de determinados comportamentos e de determinados pensamentos. Na altura, pouco sabia sobre a função do psicólogo, mas o que sabia foi quanto bastou para afirmar “Vou ser psicóloga”. Com a decisão tomada, comecei a investir em literatura relacionada com estes assuntos. Lembro-me de ler Freud e de ficar com a sensação de que não tinha percebido nada.

Qual a sua formação?

Licenciei-me em Psicologia (5 anos) na Universidade Lusófona e iniciei pouco tempo depois a minha prática clínica. Foi com a prática de consultório que percebi que a Licenciatura foi apenas uma base, desde então, a formação contínua tem sido de extrema importância. Neste momento, encontro-me a concluir um Doutoramento (6 anos) na área Clínica e da Saúde, na Universidade de Salamanca, e ainda estou em formação em psicoterapia psicanalítica (4 anos) na Associação Portuguesa de Psicoterapia Psicanalítica (APPSI). Quando o trabalho desenvolvido pelo psicólogo segue esta orientação, o percurso académico acaba por ser longo devido à natureza do processo psicoterapêutico. Temos, acima de tudo, uma grande responsabilidade em ‘mãos’. A pessoa que nos procura apresenta-se muitas vezes num estado de sofrimento mental que condiciona em muito a sua vida. Muitas vezes, não percebe o que se está a passar com ela e precisa de aliviar e tratar a sua dor. Mas não é só do tratamento da doença mental que nos ocupamos. A psicoterapia é também o veículo que nos conduz a um melhor auto-conhecimento.

Atualmente que tarefas fazem parte do seu dia-a-dia como psicóloga?

Desde há alguns anos estou dedicada à Psicoterapia, à avaliação psicológica e à orientação escolar e profissional de alunos. Em Psicoterapia acompanho pacientes que procuram este tipo de tratamento em casos de ansiedade, fobias, pânico, depressão, entre outras perturbações do foro psíquico; ou pacientes que procuram a Psicoterapia para se conhecerem melhor, para lidarem melhor com algumas situações, para se compreenderem e para melhorarem o seu relacionamento com os outros. Há vários motivos pelos quais as pessoas procuram Psicoterapia, embora não seja, na maioria das vezes, uma decisão fácil de tomar. Na avaliação psicológica dou resposta a casos de pessoas que precisam fazer uma avaliação deste género por questões judiciais, por questões de reforma antecipada, entre outros motivos. Na orientação escolar e profissional, acompanho alunos em fases decisivas dos seus percursos académicos como o 9º e o 12º anos quando se deparam com a área que vão seguir em termos académicos e/ou profissionais.

No seu trabalho, e que a faz sorrir todos os dias?

Tenho a grande sorte de trabalhar numa área de que gosto muito e isso faz toda a diferença no meu dia-a-dia. Em contexto psicoterapêutico, aprecio sobretudo a mudança, a evolução e o crescimento das pessoas. É uma profissão muito gratificante e bastante rica em aprendizagem.

E o que menos gosta… Ou não gosta tanto?

Da posição que a Psicologia ocupa em Portugal, do desconhecimento sobre a área, da falta de respostas ao nível da Saúde Mental e do descrédito e desrespeito pelo sofrimento da pessoa que adoece. Com alguma sorte, o paciente procura esta especialidade como das últimas alternativas (se não a última) a ser ponderada. Existe uma tendência muito forte para esquecermos que temos um corpo e uma mente que comunicam sem barreiras e que por vezes o adoecer do corpo pode estar associado ao adoecer da mente. Há muitas doenças que são do foro psicossomático e por isso devem ter o tratamento adequado. Assim, a psicologia devia ser considerada um cuidado básico de saúde e estar mais acessível à população em geral.

Que mensagem deixa aos alunos que pensam enveredar por uma carreira ligada à Psicologia e estão com medo das saídas profissionais?

A Psicologia como profissão acaba por ser um mundo de opções dada a sua aplicabilidade. Atualmente, existem várias especializações em Psicologia, o que faz com que, mediante essas especializações, o psicólogo possa trabalhar em autarquias, hospitais, centros de saúde, escolas, empresas, tribunais, prisões, instituições, forças de segurança, etc. É preciso pensar sobre o que motiva o aluno nesta área; pensar sobre as suas capacidades e dificuldades em lidar com situações que fazem parte da área. A formação contínua torna-se um requisito fundamental, principalmente quando se trata de acompanhamento psicoterapêutico. Aqui, a licenciatura por si só, não nos torna psicólogos e muito menos ‘mestres’ em Psicologia aos 23 anos.

Mesmo em tempos de crise, precisamos de mais psicólogos em Portugal?

Os psicólogos fazem cada vez mais falta e não me parece que tenhamos excesso de psicólogos se proporcionalmente considerarmos o estado da Saúde Mental em Portugal. O que falta é colocá-los a exercer as suas funções. Portugal é dos países com maior taxa de doença mental da Europa. A Organização Mundial de Saúde prevê que a depressão seja a principal doença do século. Não é difícil imaginar que quem devia estar na linha da frente deste enorme problema psicossocial seriam psicólogos e psiquiatras. Ambas as especialidades são por excelência destinadas a tratar este tipo de doenças. Por isso, os receios que existem atualmente prendem-se mais com o mercado de trabalho em si e com a situação económico-politica do país. Os alunos que equacionam esta área, ou qualquer outra, devem fazer um balanço consciente entre o que os motiva nesta área e as dificuldades gerais do mercado de trabalho. Ainda assim, as dificuldades não se devem constituir como impeditivos do aluno seguir aquilo que gosta. Seremos cada vez melhores naquilo que fazemos, se o fizermos com gosto.

Consulta Online da Revista Mais Educativa:
http://issuu.com/youngdirectmedia/docs/revistamaiseducativa-setembro2012

Consulta em PDF da Revista Mais Educativa:
http://media.maiseducativa.com/revistas/RevistaMaisEducativa-Setembro2012.pdf


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Amores de Verão

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Sofia Soares Pereira

Colaboração com a revista Pais & Filhos do mês de Agosto 2012 no artigo “Amores de Verão”


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A herança de Herman Rorschach

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Sofia Soares Pereira

Comemorou-se no ano passado os 90 anos da publicação do trabalho de Herman Rorschach – “Psicodiagnóstico Rorschach”.

A partir da corrente psicanalítica, influenciado por Bleuler e Jung, o trabalho de Herman Rorschach provocou grande interesse em muitos autores e tem sido bastante utilizado em todo o mundo nas áreas da justiça, clínica, educação, neurociências, social e do trabalho, investigações entre outros. Herman Rorschach faleceu em 1922 em Herisau – Suiça, no ponto alto da sua carreira, deixando por completar a sua obra. Devido a este acontecimento, o autor da prova das manchas de tinta não completou as grelhas interpretativas nem o seu quadro teórico. Deste modo nasceram várias escolas de investigação e utilização do Rorschach, na medida em que foram vários os seus sucessores, cada um com a sua sistematização. Oberholzer, com publicações posteriores à morte de Herman Rorschach; Ben-Echemburg, com a sua técnica paralela ao Rorschach que realizou juntamente com o próprio autor; Hans Binder, com a matização das respostas de sombreado; Walter Morgenthaler, com os seus diferentes estudos na técnica de eleicção dos cartões que o examinado mais gosta e menos gosta; Margarita Loosli-Usteri e Edwald Bohm e muitos outros autores, que seguiram as directrizes do autor das manchas de tinta. No entanto, cada um destes sistemas tinha um ponto em comum: mantinham-se fiéis às ideias originais de Herman Rorschach. As diferenças residiam no suporte teórico dos seus sucessores. Na Europa, os mais conhecidos são os sistemas de Loosli-Usteri e Bohm. Nos Estados Unidos, principalmente os de Klopfer, Beck, Piotrowski, Hertz e Rapaport. As divulgações e as investigações desenvolvidas por estes autores permitiram um aperfeiçoamento da técnica e uma melhor compreensão da mesma, quer nos Estados Unidos, quer na Europa. Em 1957 estavam consolidados os diferentes sistemas de Rorschach, sem que nenhum dos seus sistematizadores chegasse a acordo para a integração num só sistema. Existia até investigações entre 1950 e 1970 que iam neste sentido, mas eram excepções. Uma destas excepções foi publicada por John E. Exner, Jr em 1969. Beck e Klopfer incentivaram esta publicação. Este resultado demonstra as diferenças inter-sistémicas (por exemplo, apenas dois dos cinco coincidiram nas instruções sobre como sentar o examinado perante o psicólogo). Cada sistema desenvolveu a sua própria forma de codificar as respostas, sendo os modelos muito diferentes entre si. Exner compilou todos os trabalhos das cinco escolas de Rorschach, criando assim o Sistema Compreensivo. Os cartões mantiveram as suas características originais, a alteração foi que deixou de ser uma ferramenta experimental para passar a ter uma correcção objectiva e manter o carácter projectivo por natureza. Este Sistema foi introduzido em Portugal pelo Professor Doutor Danilo R. Silva na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa.

Antes do falecimento de Herman Rorschach (1921), o autor referiu que o seu trabalho constituía apenas um começo e que não estaria nada definitivo uma vez que tinha a certeza que havia dados importantes que faltavam encontrar. Foi neste sentido que o Doutor José Rodrigues Isidoro, professor e director da Faculdade de Psicologia da Universidade de Salamanca, editou pela primeira vez em 1975 três cartões projectivos a serem aplicados imediatamente após o último cartão de Rorschach. Estes cartões, com segunda edição em 2010, foram denominados Cartões Projectivos JRI e servem essencialmente como complemento aos dez cartões de Herman Rorschach. São cartões monocromáticos com formas bastante particulares e foram elaboradas seguindo a mesma técnica que os outros dez. Muito há para se escrever sobre estes cartões, no entanto, neste artigo, destacam-se apenas alguns pontos.

“Os princípios de simetria (ao ser manchas de tinta colocadas sobre um papel e posteriormente dobradas) foram respeitados e tidos em conta na sua elaboração”. (Jiménez, 1990)

Cabe ao técnico a escolha de aplicar ou não os cartões projectivos JRI. Se optar pela aplicação, deve ter em conta de que esta não é isolada, mas sim em conjunto, perfazendo um total de treze cartões apresentados ao examinado de forma contínua.

Os cartões projectivos JRI têm a mesma numeração romana, mas fazem-se acompanhar do símbolo + (mais). Os cartões são identificados como I+ (primeiro), II+ (segundo), III+ (terceiro). O cartão I+ é negro enquanto que os cartões II+ e III+ são vermelho-vivo.

Sendo as cores mais intensas, sentiu-se a necessidade de diferenciar o choque à cor rosa, azul, laranja, verde do choque ao vermelho. Dois destes três cartões projectivos são completamente vermelho-vivo, o que facilita a interpretação para um melhor diagnóstico.

“A nossa experiência tem demonstrado que há elementos importantes nos cartões projectivos JRI que de não aplicá-los podem passar despercebidos para o técnico que utiliza a prova”. (Jiménez, 1990)

Jiménez (1990), referiu que para além da importância da cor, o conteúdo e o movimento também determinam as respostas.

O cartão I+ é monocromático de cor negra. Suscita facilmente respostas ou sentimentos de nervosismo, dificuldade de interpretação e até mesmo bloqueio.

“Este cartão pode ajudar-nos a clarificar um possível choque ao cinza/negro que pode surgir num dos outros cartões de Rorschach, especialmente nos cartões I, IV e V”. (Jiménez, 1989)

Se o técnico tiver dúvidas na existência ou não de choque à cor, é possível que com o cartão I+ saia da dúvida. O negro e o cinza são particularmente importantes para um diagnóstico de angústia ou depressão. É um dos cartões mais aceites positivamente pelos examinados.

No cartão II+, o mais importante é o choque ao vermelho-vivo. É um cartão totalmente vermelho que depois do examinado ter percepcionado o negro no cartão anterior, pode ficar bloqueado com este. Se existir dúvidas nos cartões II e/ou III do Psicodiagnóstico de Rorschach, este cartão II+ ajuda a esclarecer.

Jiménez (1989), numa das suas obras investigou neste cartão o choque cinestésico com uma amostra de 526 adolescentes de ambos os sexos. Comprovou-se a existência de uma correlação muito alta deste choque cinestésico entre os cartões III do Psicodiagnóstico e o cartão II+ dos cartões projectivos JRI.

“Isto pode confirmar que um examinado que tenha um choque cinestésico ao cartão III, a probabilidade de ter o mesmo choque no cartão II+ é muito alta”. (Jiménez, 1989)

A este cartão é costume produzirem-se tantas respostas quantas as recolhidas no Psicodiagnóstico de Rorschach. A agressividade latente é notória neste cartão uma vez que há motivações inconscientes do examinado quando percebe que as duas figuras principais estão em movimento agressivo. Se não houver essa predisposição, os examinados referem que as figuras estão a relacionar-se pacificamente. A percepção de figuras humanas e em movimento é frequente neste cartão. Há assim um duplo sentido que dá abertura total para o examinado projectar a sua agressividade (se for o caso).

No cartão III+, encontramos novamente a cor vermelha acrescida do facto de não ser tão facilmente perceptível. Por este motivo, há um número elevado de respostas aos detalhes da mancha (D).

Jiménez (1989) afirma que a importância à cor vermelha é tão evidente que pode surgir também neste cartão, dando contributos importantes para a sintomatologia agressiva. Este cartão é muito rejeitado pelos examinados.

Os cartões projectivos JRI são um instrumento fundamental e de um poder inconfundível na avaliação de personalidade do examinado. Como atrás foi referido, estes catões complementam o Psicodiagnóstico Rorschach, é esse o seu principal objectivo.

Em resumo e de acordo com Jiménez (1989), as contribuições mais importantes são: 1º aumento do número de respostas e um menor tempo de reacção nos cartões projectivos JRI que no Psicodiagnóstico; 2º o valor sintomático das respostas de detalhe oligofrénico (Do); 3º a categoria dos determinantes (F) e a notável incidência de respostas de conteúdo humano e em movimento muito superiores nos cartões projectivos JRI que no Psicodiagnóstico; 4º a complementaridade de ambos os conjuntos de cartões é bastante perceptível: os conteúdos humanos (superior nos cartões projectivos JRI é inferior aos do Psicodiagnóstico) e os conteúdos animais (superior no Psicodiagnóstico e inferior nos cartões projectivos JRI); 5º através da análise de correlações entre o Rorschach e os cartões projectivos JRI podemos comprovar uma alta fiabilidade nos cartões projectivos JRI; 6º altíssima correlação entre os factores de angústia nos cartões projectivos JRI e Psicodiagnóstico de Rorschach; 7º os cartões projectivos JRI são essencialmente sensíveis em perturbações da personalidade; 8º notável riqueza psicodiagnóstica através dos diferentes choques proporcionados pela cor, pela cinestesia e pelos conteúdos agressivos; 9º os cartões projectivos JRI contribuem para a análise da personalidade, nomeadamente na sintomatología afectiva, angustiosa e agressiva da personalidade.

Num trabalho de investigação com mulheres vítimas de violência doméstica, desenvolvido por mim no ano de 2008, confirmou-se os itens acima identificados e destacou-se ainda outros: 1º forte projecção à cor nos cartões projectivos JRI; 2º aumento significativo de conteúdos sexuais, sangue, anatómicos e radiográficos; 3º aumento significativo de fenómenos especiais. Na Prova de Eleição de Morgenthaler, os cartões II+ e III+ foram os mais rejeitados.

Com ambos os conjuntos (Psicodiagnóstico Rorschach + Cartões Projectivos JRI) obtém-se uma quantidade e diversidade de variáveis que com as suas quase infinitas inter-relações bem como os diferentes tipos de informação que se cria torna-se a base do seu potencial.

O Psicodiagnóstico de Rorschach recebe assim um precioso complemento através da obra do Professor Doutor José Rodrigues Isidoro que contribui para uma avaliação da personalidade concreta e eficaz. Desde a particularidade dos seus estímulos, a riqueza informativa que gera, a impossibilidade de ser falseado, assim como a possibilidade de integração de dados quantitativos e qualitativos que oferece são, os principais motivos pelos quais se continua a realizar investigações dedicadas à sua eficácia, a 90 anos depois da sua publicação.

Artigo de opinião para o Portal dos Psicólogos: http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0316


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O stress, as emoções e as doenças de pele

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Sofia Soares Pereira

O adoecer do corpo está intimamente relacionado com o sistema nervoso e com as emoções. Devido à ligação corpo-mente, a Saúde Mental reflecte-se na Saúde Física e por isso há doenças de pele que são a ressonância de perturbações emocionais e de elevados níveis de stress.

A pele é bastante sensível às emoções e é importante saber ouvi-la. Talvez, por isso, se diga em algumas situações que “as emoções estão à flor da pele”. O stress psicológico é impulsionador no surgimento e no agravamento de doenças infecciosas, inflamatórias e auto-imunes. O sistema imunitário fica mais frágil e tem dificuldade em reagir positivamente à doença.

As repercussões incidem em inúmeras inflamações da pele, como por exemplo, o prurido que varia de intensidade conforme os níveis de stress. Entre as doenças de pele citadas, estão a dermatite ou eczema atópica, a dermatite seborreica, a psoríase, a acne, a rosácea, a urticária, o herpes simples, entre outras.

Das diversas doenças de pele acima assinaladas, destaca-se a psoríase, como uma das inflamações crónicas que estabelece uma relação significativa com os distúrbios emocionais. Por este motivo, a psoríase pertence ao grupo das psicodermatoses que afecta homens e mulheres na adolescência e na vida adulta.

É fundamental identificar quais os factores emocionais que estão na origem destes problemas de pele. Na psicoterapia psicanalítica compreende-se que os sintomas deste tipo de problemáticas são a expressão de um intenso mal-estar psicológico, muitas vezes, inconsciente. Na psicoterapia, entre muitos outros assuntos, procura-se conhecer a causa do aparecimento do sintoma. É através do tratamento da causa que se consegue diminuir e resolver o sintoma.

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

Primeira publicação: http://www.sitiodamulher.com/o-stress-as-emocoes-e-as-doencas-de-pele


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A psicologia, a crise e a resiliência

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Sofia Soares Pereira

 

Artigo para a Revista Psicologia na Actualidade. Para ler o artigo na integra, deverá aceder à revista:  http://www.psicologianaactualidade.com/

A crise mundial é um assunto que diariamente está presente no discurso das pessoas em todos os lugares. Na área da Saúde Mental, tem-se tornado público a relação existente entre crise e o aumento de perturbações mentais.

 


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Perturbações alimentares para além da anorexia e da bulimia – Já ouviu falar de Mericismo ou de Pica?

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Sofia Soares Pereira

Actualmente a anorexia e a bulimia têm estado bastante presentes quando estamos perante casos de perturbações alimentares. A verdade é que para além da anorexia e da bulimia nervosa, existem outros tipos de perturbações relacionadas com a alimentação.

A maioria das perturbações alimentares ocorrem desde cedo na infância e na adolescência, embora, se tenha vindo a assistir a um aumento de casos na idade adulta. Neste artigo, destacam-se duas perturbações alimentares que surgem de forma precoce na vida da criança. 

Denomina-se por Mericismo ou Ruminação um quadro psicopatológico em que o bebé ou a criança colocam os alimentos na boca, mastigam-nos, engolem-nos e de seguida regurgitam-nos. Ao ter o mesmo produto alimentar na boca, repetem o mesmo processo. A criança consegue regurgitar os alimentos mastigados sem sentir náuseas ou provocar o vómito. Esta ruminação e manipulação dos alimentos, normalmente ocorrem, quando a criança está sozinha. É mais frequente em crianças do sexo masculino e durante estes episódios a criança apresenta uma postura de vazio perante o mundo que a rodeia. É como se a criança se virasse mais para o seu mundo e anulasse por momentos contacto com o mundo exterior. Se alguém se aproxima, a criança detecta a presença da pessoa e consegue estabelecer contacto com ela. 

A desnutrição, perda de peso e atraso no desenvolvimento acompanham este quadro. Deve-se diferenciar Mericismo de vómito que surge com frequência na primeira infância. Este último pode acontecer por outros motivos; ao passo de que no Mericismo a desorganização psicológica existente faz com que o processo passe pelas fases descritas no parágrafo anterior que vai desde o mastigar ao regurgitar e a repetição do processo com o mesmo produto alimentar.

Denomina-se por Pica um quadro psicopatológico relacionado com a ingestão persistente de produtos não alimentares que costuma surgir em crianças, regra geral, numa fase precoce da 1ª infância. São, sobretudo, crianças deprimidas em cenários de violência, abandono e negligência.

Como possíveis consequências deste quadro psicopatológico precoce as crianças apresentam: atrasos no desenvolvimento, intoxicações devido à substância que é ingerida, dores abdominais, anemia, envenenamentos, perfuração intestinal, entre outros.

Segundo a substância ingerida, a Pica, tem a sua classificação:

Terra e barro: Geofagia

Gelo: Pagofagia

Cabelos: Tricofagia

Pedras: Litofagia

Plantas: Foliofagia

Fezes: Coprofagia

Urina: Urofagia

Tintas: Plumbofagia

Madeira: Xilofagia

Ambas as perturbações alimentares acima descritas andam de mãos dadas com a depressão infantil e com dificuldades significativas ao nível da relação familiar, nomeadamente na díade mãe-bebé.

 Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental (e a dos seus)!

Primeira publicação: http://consultaclick.pt/blog/2012/06/22/perturbacoes-alimentares-para-alem-da-anorexia-e-da-bulimia/


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O que vais ser… Agora que já és grande?

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Sofia Soares Pereira

Enquanto nos caem os dentes de leite, sonhamos ser astronautas, princesas, jogadores de futebol ou bailarinas. Depois, a escola vai alargando-nos os horizontes e as costureiras, os polícias, os professores ou até as profissões exercidas pelos nossos pais são as que mais nos fazem o coração palpitar. O pior é quando vem o 12º ano e os nossos sonhos esbarram como nuvens à hora de jantar, quando os noticiários anunciam crise de megafone e nos tiram até a vontade de comer a sobremesa…

No entanto, a melhor receita para a indigestão noticiosa sobre a crise de empregos é uma boa dose de persistência, umas pitadas de confiança e estudo q.b. Escolhas o que escolheres, agora que já és grande, vai tudo correr bem – lembra-te da música que cantava a Doris Day, no filme de Alfred Hitchcock “O homem que sabia demais”, “Qué Será, Será/ Whatever will be, will be/ The future’s not ours, to see/ Qué Será, Será/ What will be, will be”.

Não é preciso um álbum com fotografias a preto e branco para perceberes que o tempo passa, os estilos de vida mudam e as tendências profissionais acompanham, sem ripostar, a modernidade. A Tecnologia avança a galope e hoje são muito poucos os profissionais que não utilizam a Internet no seu local de trabalho, por exemplo, cenário que há 15 anos era impensável, a não ser nos filmes de ficção científica mais rebuscados. O que quer isto dizer? Que há uma lista de profissões do futuro que reinventam completamente as ideias que muitas vezes preconcebemos na cabeça acerca de profissões que se dedicam apenas a uma área de trabalho. Assim, as Tecnologias de Informação, o Setor da Saúde aplicado aos cuidados da terceira idade, a Nanotecnologia, as Energias Renováveis, o vasto leque das Terapias Alternativas, o Coaching ou toda a área de Lazer e Bem-Estar muito em voga atualmente são hipóteses em plena expansão – que podem ser exercidas a partir de uma variedade bastante grandede Licenciaturas e Mestrados à tua disposição.

No entanto, da Licenciatura à escolha da mesma vai um passo de gigante e, infelizmente, por motivos económicos ou outros de vária ordem, nem sempre nas Escolas Secundárias e Profissionais há um profissional psicólogo a tempo inteiro que possa dar uma ajuda no acompanhamento regular dos alunos indecisos, confusos ou mesmo preocupados com o seu futuro profissional – quer na escolhas de agrupamentos/ áreas no 9º ano, quer na escolha dum curso superior, já no final do 12º ano. Para Sofia Soares Pereira, Psicóloga Clínica e da Saúde e Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos, “As escolas têm milhares de alunos e, sendo este acompanhamento de índole individual e também em grupo, seria necessário uma equipa de psicólogos por escola/agrupamento. Neste sentido, o papel do psicólogo junto dos alunos deveria estar direcionado para a área do acompanhamento psicológico, psicopedagógico, orientação escolar e vocacional, dinamização de várias ações pedagógicas de grupo, como por exemplo, estratégias/métodos de estudo, prevenção de comportamentos de risco, gestão de conflitos, entre muitas outras”. Quando o drama de optar por uma área engloba, além da comunidade escolar, os pais e família do aluno, Sofia Soares Pereira refere que aí o assunto torna-se mais melindroso, já que “Em relação à opinião dos pais e dos professores, esta é de facto importante. Por terem experiências diversas, por conhecerem o mercado de trabalho e por diversas outras razões são capazes de opinar sobre este assunto. No entanto, opinar é diferente de pressionar que, por sua vez, é diferente de decidir pelo jovem. Pais e filhos devem conversar sempre que necessário sobre o assunto e sobretudo ouvir os filhos naquilo que eles têm a dizer sobre si e sobre estas dúvidas e ansiedades que geralmente rondam e permanecem nesta fase”.

Testes psicotécnicos: funcionam mesmo ou são mito urbano?

Conhecidos por muitos dos alunos do Ensino Básico e do Secundário, este é um método frequentemente utilizado nos gabinetes de psicologia das instituições de ensino pré-universitário. Mas será que funcionam mesmo? Eis a questão. “Os testes psicotécnicos não deveriam ser o centro de uma orientação escolar, porque um jovem é muito mais que aptidões extraídas de testes analisados informaticamente. O jovem pode ter interesses diferentes dos que se enquadram nas suas aptidões, por isso, a orientação escolar e vocacional não se deve basear apenas em testes psicotécnicos. Estes, são um meio complementar que auxilia o aluno nesta fase.”, refere a psicóloga, ao mesmo tempo que acrescenta o facto de que “supostamente, os psicotécnicos deveriam entrar após a realização de uma entrevista individual em que se exploram fatores importantes, como por exemplo: os interesses profissionais do aluno, as suas motivações, os seus objetivos, como é que ele se vê em determinadas profissões, o seu método de estudo, as áreas de que mais gosta e as de que menos gosta, entre muitos outros”, contudo isto nem sempre acontece devido a às limitações materiais e humanas existentes em muitas das escolas.

Como podem os pais ajudar a atenuar o medo de falhar dos filhos?

“É importante compreender o lado dos pais e o lado dos filhos. Noto no acompanhamento aos pais que há uma tendência forte para colocar nos filhos aquilo que os próprios pais gostam ou ambicionam, esquecendo-se que talvez não seja exatamente a mesma coisa que os filhos querem. Os filhos estão a desenvolver a sua capacidade de autonomia e a definir a sua identidade, por isso, espera-se que a decisão final seja avançada pelo filho. Os pais ajudam quando proporcionam um ambiente de diálogo aberto sobre estes assuntos, quando promovem esta autonomia e quando conseguem separar aquilo que é ambição própria das ambições dos seus filhos.”, começa por dizer Sofia Soares Pereira, lembrando que situações escolares mais extremas como o mau comportamento, avaliações negativas ou chumbar o ano devem ser alvo de reflexão por pais e filhos. “Tentar perceber o porquê destas situações estarem a acontecer com os filhos é mais importante que por exemplo, criticar o aluno. Há diversas causas que estão na origem do mau comportamento e do baixo desempenho escolar e é na medida que se consegue olhar para estas causas que se pode obter mudança. Dificuldades de aprendizagem, desmotivação para a escola, falta de objetivos, baixa autoestima, entre muitas outras causas devem ser sujeitas a análise.”

O medo da falha ou o medo do erro é algo que acompanha as pessoas de qualquer idade, acrescenta esta profissional, convencida de que se olharmos para a falha ou para o erro sem medo, com certeza que os resultados serão mais positivos. “A maioria das pessoas lida mal com o erro, esquecendo-se que é através do erro que é possível fazer mais e melhor. Não é possível crescer e aprender enquanto crianças, jovens e adultos sem ter acesso ao erro ou à falha. É desta forma que é possível atenuar o medo da falha – se todos olharem de frente para os seus medos, eles com certeza diminuem de tamanho.”

Primeira publicação na Revista Mais Educativa:  http://www.maiseducativa.com/2012/05/10/o-que-vais-ser-agora-que-ja-es-grande/


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Pânico – o “nó na garganta” e o “aperto no peito”

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Sofia Soares Pereira

Em Portugal e em todo o mundo as perturbações da ansiedade e as perturbações do humor são as alterações mais comuns que ao longo dos últimos anos se tem tornado mais visível e diagnosticável ao nível da Saúde Mental. Estas são também as principais causas de baixas médicas, incapacidades permanentes ou temporárias, alterações orgânicas, entre outras.

No que se refere à ansiedade, permanecem muitas dúvidas, principalmente quando a pessoa atinge o pico máximo: o ataque de pânico.

Nas urgências hospitalares é comum o ataque de pânico confundir-se, numa primeira instância, com ataque cardíaco. Muitas vezes, a pessoa sente-se ridicularizada sem compreender o que está a acontecer porque após ter tido um ataque de pânico, recebe a informação de que “não tem nada”. Pior do que “ter” alguma coisa que seja visível, é de facto, “não ter nada”. “Não ter nada” é negar que existe vida mental, ou seja, é negar que a mente articula-se com o corpo e que este depende dela. Nestas situações, a mente acaba por conduzir o corpo ao pânico. Os sintomas de um ataque de pânico são bastante severos ao ponto da pessoa pensar que vai morrer. Dura cerca de 10 minutos, durante os quais surgem a maior parte destes sintomas:

  • Palpitações;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Dificuldade em respirar (sensação de nó na garganta);
  • Suores;
  • Tremores;
  • Dor no peito (aperto no peito);
  • Náuseas;
  • Mal-estar abdominal;
  • Ter frio ou calor;
  • Formigueiros;
  • Tonturas, desequilíbrio;
  • Sensação de desmaio;
  • Medo de perder o controlo e de enlouquecer;
  • Medo de morrer.

Durante o ataque de pânico é como se a pessoa entrasse numa outra realidade. Nesta realidade a pessoa sente a maioria dos sintomas acima identificados, atinge o seu pico máximo de ansiedade e passado uns minutos regressa aos poucos à normalidade. Este pico é variável de pessoa para pessoa. Há pessoas cujo seu pico máximo de ansiedade é a dificuldade em respirar; outras que chegam inclusive a desmaiar.

A sensação de “nó na garganta”, “aperto no peito” e o “medo de morrer” são dos sintomas mais apontados pelos pacientes. Com estes sintomas, a pessoa percorre praticamente todas as especialidades à procura de explicações orgânicas para o seu estado. Muitas vezes a psicologia, especialidade que trabalha na relação entre mente e corpo, é a última a ser procurada quando na realidade devia ser das primeiras a ser considerada.  

Uma vez terminado o ataque de pânico e devido à sua severidade, o principal medo que a pessoa tem é de voltar a ter outro. Muitas vezes, é aqui que surgem comportamentos de evitação. É frequente a pessoa evitar ir a determinados locais, deixar de fazer algumas coisas que antes fazia, deixar de conduzir, não sair à rua, deixar de trabalhar, etc.

Estas alterações da ansiedade são altamente debilitantes e interferem directamente no dia-a-dia da pessoa.

O agravamento da ansiedade está relacionado com inúmeros factores psico-emocionais. Geralmente as pessoas com níveis elevados de ansiedade vivem a vida a 100 km/h, recusam parar para pensar sobre si e têm dificuldade em expressar os seus sentimentos e emoções de forma adequada. Cria-se assim um distanciamento muito grande entre as emoções que a pessoa demonstra ter e aquelas que coabitam dentro dela.

Na psicoterapia procura-se compreender quais os factores psico-emocionais que estão associados ao pânico. Trazer à consciência quais as origens deste sofrimento emocional torna-se fundamental para reduzir e tratar a sintomatologia que é visível no ataque de pânico.

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!


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Planeamento psicológico da gravidez

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Sofia Soares Pereira

Na realidade nem todas as mulheres que ficam grávidas planeiam ser mães. Nem todos os filhos foram ou são desejados. Nem todas as mulheres grávidas se sentem belas e felizes com a sua gravidez. Para ir mais além, nem todas as mulheres que planeiam uma gravidez se sentem, de facto, grávidas psicologicamente. Avançando mais um pouco, nem todas as mulheres que ficam grávidas psicologicamente passam os 9 meses como se fossem os melhores meses das suas vidas.

O planeamento de uma gravidez é, de facto, bastante importante para que o casal consiga ir aos poucos interiorizando e amadurecendo o papel que os espera. Muitas vezes este planeamento psicológico da gravidez é inexistente, quer por ocorrência de uma gravidez inesperada, quer pela forma, por vezes leviana, como a decisão sobre a parentalidade ocorre. Ainda que actualmente se fale mais sobre responsabilidades e competências parentais e sobre planeamento da gravidez, é possível fazer mais e melhor. Há muitas mulheres grávidas, que mesmo acompanhadas pelos seus companheiros e pela família, se sentem de facto, muito sozinhas e perdidas.

Um dos grandes desafios da maternidade e da paternidade que a maioria das pessoas nem se dá conta dada a sua forma espontânea de surgir, refere-se ao papel de mãe ou de pai após ter sido filha ou filho. O transporte inconsciente que é feito da antiga relação que os pais tiveram enquanto filhos (no que possa ter acontecido de bom ou de mau) para a futura relação pais – bebé é projectado instintivamente para esta nova relação quer por perpetuação de alguns comportamentos quer por oposição total de outros. Perpetuação de comportamentos que ocorreram no passado e que são alocados na nova relação pais-bebé havendo assim uma espécie de continuidade inter-geracional. Oposição de comportamentos que os futuros pais consideram (consciente ou inconscientemente) inadequados e por oposição poderá haver um excesso do comportamento no sentido oposto.

Todos estes “fantasmas” associados à parentalidade são (ou podem ser) abordados no acompanhamento psicoterapêutico ao futuro casal garantindo assim um suporte psicológico muito importante nesta fase mais sensível da vida do casal.

Preparar psicologicamente a chegada de um bebé é um processo raro que só se torna visível mais tarde. A futura mãe sabe que está grávida, mas não se sente grávida. Ora, saber e sentir é de facto, bastante diferente! Os primeiros sinais começam logo no pós-parto. Ao pós-parto associa-se a conhecida depressão pós-parto. Este conceito até é conhecido, o que é desconhecido, ou melhor, encobrido é que a depressão pós-parto afecta a maioria das mulheres sem que estas se dêem conta.

As situações inerente ao parto; a ansiedade de conhecer e de ter o bebé; o cansaço e a “desordem” hormonal na mulher; os olhares ternurentos do companheiro, da família e dos amigos orientados para o bebé (e raras as vezes para a mãe); o choro do bebé; o amamentar; o não saber o que fazer quando o bebé não dorme; entre tantas outras situações… Se o panorama em si já tem as suas particularidades, se associarmos a inexistência de um planeamento psicológico da gravidez, o casal sente-se perdido neste turbilhão de emoções.

gravidezÉ importante que o casal consiga pensar em conjunto uma possível gravidez, reflectir sobre estas questões, falar abertamente sobre as suas dúvidas, receios e medos que na boa verdade todos têm, mas uns encobrem-nas mais que outros. Por estes motivos é que um casal que queira ter filhos, devem sempre que possível, planear a gravidez psicologicamente e depois avançar para a concepção. A maternidade exige do casal disponibilidade e resistência psicológica uma vez que a chegada de um bebé altera o que até essa altura estava instituído no dia-a-dia do casal.

Desta forma, o planeamento psicológico da gravidez não deve ocorrer apenas na mulher, mas no casal. É por este motivo que às vezes se diz que não é apenas a mulher que engravida, mas sim o casal.

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

Primeira publicação: http://saude.sapo.pt/saude-em-familia/casal-e-gravidez/artigos-gerais/planeamento-psicologico-da-gravidez.html


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Como explicar às crianças que vão ter consultas de psicologia?

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Sofia Soares Pereira

A preparação da criança para a primeira consulta de psicologia é algo que deixa os pais, muitas vezes, bastante aflitos.

O que por vezes pode parecer dificílimo explicar a uma criança pode ser, de facto, fácil quando comunicado de forma simples, honesta e sem ansiedade.

Comunicação simples: uso de palavras simples e adequadas à idade da criança. Após feita a explicação, apenas se a criança fizer perguntas é que a conversa sobre o mesmo assunto dever-se-á manter. Caso contrário, a rotina normal da criança continuará. Se houver perguntas, deve-se ir respondendo a uma de cada vez até que a criança fique esclarecida;

Comunicação honesta: não é recomendável mentir às crianças. As crianças “absorvem” e sentem a verdade e a mentira naquilo que isto pode trazer de bom ou de mau para a sua vida e para o seu relacionamento com os pais e com o mundo que as rodeia.

Comunicação sem ansiedade: se os pais estão ansiosos por lhe comunicar algo, devem pensar e reflectir na ansiedade como algo seu e não da criança. A ansiedade ou nervosismo torna a criança insegura, na medida em que ela “absorve” este sentimento através dos pais.

Explicar à criança que terá consultas com um psicólogo deverá ser encarado com a naturalidade com que se encara por exemplo a pediatria, em que a criança é informada momentos antes ou de véspera da consulta, mas não com demasiada antecedência.

Assim como se explica os motivos pelos quais a criança vai ao pediatra, deve-se explicar que a criança vai ao psicólogo para que este a ajude a ultrapassar os problemas que ela tem. Pode-se dar exemplos deste tipo de problemas: há crianças que estão sempre zangadas com as outras crianças; outras que não emprestam nada aos outros; outras que choram muitas vezes porque se sentem tristes; outras que têm muita vergonha de estar com os outros meninos; outras que não gostam da cara/corpo que têm; etc. Uma vez que estes problemas incomodam as crianças, elas precisam de uma ajuda especial. Quem dá esta ajuda especial são os psicólogos.

É possível que a criança pergunte quem é o psicólogo. Deve-se dizer o nome e explicar às crianças que os psicólogos são diferentes dos professores ou dos médicos. Nas consultas de psicologia, a criança brinca, faz desenhos e conversa sobre tudo o que quiser com o psicólogo.

Poderá acontecer a criança perguntar se vai estar sozinha ou com os pais. Mais uma vez, comunicar honestamente com a criança é informá-la que às vezes os psicólogos falam com os pais para que as crianças melhorem mais rápido e para que os pais saibam o que fazer quando as crianças têm problemas. No entanto, as consultas são para a criança brincar, desenhar e conversar.

Se surgir qualquer outra questão, os pais devem dar sempre prioridade à comunicação simples e verdadeira como forma de esclarecer a criança e reduzir ansiedades.

Primeira publicação: http://www.megabebes.pt/megabebes/index.php?option=com_content&view=article&id=103702:como-explicar-as-criancas-que-vao-ter-consultas-de-psicologia&catid=3:familia&Itemid=108


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