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Esgotamento, “doença dos nervos” ou depressão? Mulheres são as mais afectadas

Publicado a por
Sofia Soares Pereira

A Organização Mundial de Saúde, prevê que a depressão seja a principal doença do século XXI, superando as doenças cancerígenas e cardíacas. Actualmente estima-se que uma em cada quatro pessoas se confronte com esta doença em algum momento da sua vida. As mulheres estão duas vezes e meia mais propensas a ter esta doença em comparação com os homens.

Frequentemente ouvimos alguém dizer: “estou com um esgotamento” ou “o meu problema é dos nervos”. A verdade é que uma boa parte das pessoas, principalmente as mulheres, que se sentem “esgotadas” camuflam, muitas vezes, uma depressão.

Maria, 38 anos, foi encaminhada pelo seu médico de família para a consulta de psicologia indicando estar com um esgotamento nervoso. As queixas apontavam para fortes dores de cabeça, dificuldade em dormir, sensação de vazio mental, desorientação, sensação de inutilidade, cansaço extremo e choro frequente.

Os sinais do famoso “esgotamento” cruzam-se com os da depressão, por isso, um “esgotamento” é no mínimo um sinal amarelo (a fugir para o vermelho) para perceber que algo não está bem. Esta era a situação de Maria.

Um “esgotamento” não tem de ser à partida, uma depressão considerada grave até porque a depressão manifesta-se e mascara-se de várias formas.

Para além dos sinais psicológicos de que algo não está bem (tais como a tristeza e a sensação de vazio, entre outras), podem surgir outro tipo de sinais através de algumas alterações manifestadas pelo nosso corpo, tais como o aparecimento de dores musculares, dores de cabeça recorrentes, perca/aumento de peso, por exemplo.

Oiça com mais atenção o seu corpo! Traduza o que ele que lhe quer dizer!

A depressão, por ser a principal causa de incapacidades nas pessoas, pelo elevado número de baixas médicas que acarreta e por ser das principais causas de aposentações precoces, não é demais informar e esclarecer quais os sintomas da depressão:

  • Humor depressivo durante a maior parte do dia;
  • Choro frequente;
  • Diminuição do interesse e do prazer em todas ou quase todas as actividades;
  • Perda ou aumento de peso (sem estar a fazer dieta);
  • Insónia ou hipersónia;
  • Agitação ou lentidão psicomotora;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Diminuição do interesse sexual;
  • Sentimentos de desvalorização;
  • Culpa excessiva ou inadequada (podendo ser delirante);
  • Alterações de pensamento, concentração e memória;
  • Indecisões constantes e sem razão de ser;
  • Sistema imunitário enfraquecido;
  • Pensamentos acerca da morte;
  • Tentativa (s) de suicídio.

Como se não bastasse, a melhor amiga da depressão é a ansiedade e vice-versa. Por este motivo, é comum as pessoas que vivenciam depressão terem níveis elevados de ansiedade.

Ao contrário de outras doenças, a depressão tem tratamento!

A eficácia da combinação entre a psicoterapia e os psicofármacos (antidepressivos) tem-se revelado bastante útil no tratamento da depressão, nomeadamente na depressão moderada e grave. Por um lado, a psicoterapia na compreensão mais profunda da causa da depressão, por outro lado os psicofármacos no tratamento neuro químico.

O risco de se optar pela utilização abusiva de antidepressivos é que se está a tratar a depressão superficialmente. É como colocar um “penso rápido” numa ferida activa. Por este motivo é que grande parte do doentes ao deixarem de tomar os “comprimidos milagrosos”, têm enorme probabilidade de recair e normalmente estas recaídas são mais severas.

Por estes motivos, na psicoterapia aprofunda-se de uma forma segura para a pessoa as causas do seu sofrimento emocional. Ao abrigo do sigilo e da confidencialidade são trabalhadas entre psicólogo e paciente questões que originaram a depressão. Olhar de frente para estas causas e compreendê-las internamente faz com que o tratamento da depressão seja assim mais duradouro e que a “ferida activa” seja finalmente estancada.

Não acredite em esgotamentos e muito menos em “doença dos nervos”!

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

Primeira publicação: http://www.sitiodamulher.com/esgotamento-doenca-dos-nervos-ou-depressao-mulheres-sao-as-mais-afectadas

 

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Um comentário para Esgotamento, “doença dos nervos” ou depressão? Mulheres são as mais afectadas

  1. Joel Diz:

    Olá Sofia.
    A sua atitude positiva é bastante inspiradora.
    Tenho sido alvo de stresses varios (em especial no trabalho) ao longo dos ultimos 3 anos mas finalmente essa situação vai mudar. A vida profissional vai mudar para melhor em algumas semanas mas como ainda não aconteceu sinto-me bastante ansioso (bastante dificuldade em dormir mais do que 2 ou 3h). Se não procurar andar calmo, rapidamente fico stressado no trabalho actual. As vezes surgem palpitações a noite. O que acho estranho é que durante o dia sinto-me bastante bem e realizo tudo com bastante vontade, mesmo com alguma fadiga muscular (incluindo costas). A única perturbação parece-me ser o sono. Foi-me receitado unisedil durante 10 dias, andei um pouco melhor mas agora nao durmo novamente. Será ansiedade pela mudança profissional que aí vem?
    Existe algo natural que eu possa e deva experimentar para tentar dormir um pouco melhor antes de partir para uma consulta com a Sofia?
    Obrigado.

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