Artigos sobre Psicologia Clínica e da Saúde

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Potencialidades do Rorschach transversais às áreas da Psicologia

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Sofia Soares Pereira

A avaliação psicológica é uma área da Psicologia muito importante que surge com bastante frequência no trabalho do psicólogo. A necessidade da aplicação de provas, quer sejam de inteligência, de aptidões, de linguagem, de personalidade, entre outras, é transversal à psicologia. Assim, a avaliação psicológica não deve pertencer apenas ao domínio clinico, mas sim ser transversal a todas as áreas da psicologia. Este artigo expõe, de forma breve, as áreas de actuação de uma das provas projectivas de personalidade mais completas ao nível do Psicodiagnóstico – O Rorschach.

O Psicodiagnóstico Rorschach publicado em 1921, após várias tentativas sem sucesso pelo autor Herman Rorschach, é hoje utilizado em todo o mundo nas áreas da justiça, clínica, educação, neurociências, social e do trabalho, investigações, entre outros.

Juntando a orientação psicanalítica e os saberes de Bleuler e Jung, o trabalho polémico de Herman Rorschach suscitou interesse em muitos autores. Antes da sua publicação, os resultados que Rorschach obteve com o seu trabalho eram suficientes para demonstrar que este método possuía (e possui) uma considerável utilidade diagnóstica, especialmente porque na altura ainda se estudava muito sobre a identificação de doentes esquizofrénicos.

Durante a investigação, descobriu também que as altas frequências de certos tipos de resposta (especialmente as de movimento e as de cor) estavam relacionadas com diferentes características psicológicas e/ou comportamentais. Por conseguinte, o método ofereceu também a possibilidade de se identificar naquela altura, aspectos da pessoa que actualmente na psicologia contemporânea se denominam por traços, carácter ou estruturas de personalidade.

Depois do falecimento inesperado do autor, várias foram as escolas Europeias e Americanas que se dedicaram ao seu estudo e investigação.

Dotado de inigualáveis características é por excelência a prova projectiva de avaliação da personalidade do adulto capaz de avaliar, diagnosticar, prever comportamentos, detectar alterações de pensamento, indícios de depressão, isolamento social, entre outros.

Neste sentido, é compreensível que esta prova requeira alguma aprendizagem e treino na medida em que se debruça sobre uma descrição completa e detalhada do funcionamento psíquico. Esta característica está relacionada com a quantidade e diversidade de variáveis com as suas quase infinitas inter-relações que a prova proporciona, assim como os diferentes tipos de informação que se cria, tudo isto é base do seu potencial.

Existem inúmeras provas de diagnóstico da personalidade, sobretudo questionários e inventários, que exigem preparação para a sua aplicação e interpretação, no entanto, a extensa informação recolhida de um protocolo válido de Rorschach é ajustável e aplicável à multiplicidade de áreas que a Psicologia acolhe.

Na década de 1950 a 1960, o teste de Herman Rorschach (daqui para a frente designado apenas como “Rorschach”), associou-se à psicologia clínica, na medida em que os técnicos de psicologia e psiquiatria utilizavam-no como um meio imprescindível de avaliação e diagnóstico. É um teste que quando bem administrado, codificado e interpretado, contribui para o processo terapêutico com uma grande riqueza de informação. Com esta informação (e outras), faz-se um diagnóstico, estabelece-se planos de tratamento, faz-se prognósticos e descreve-se as características psicológicas do paciente.

Actualmente não é só na psicologia clínica que o Psicodiagnóstico de Rorschach é utilizado. São muitas as possibilidades de utilização desta ferramenta para o diagnóstico da personalidade, como também são ilimitadas as formas que a natureza humana desenvolve para a sua expressão.

Na área da Investigação revela ser polivalente, quer seja na recolha de informações sobre a pessoa, ou na correlação da prova com outras provas psicométricas aplicadas a qualquer perturbação psicológica. Em Neuropsicologia, permite o esclarecimento de questões práticas relacionadas com as perturbações mentais relacionadas com alterações cerebrais. A demência é bastante visível através da aplicação da prova, bem como outro tipo de perturbações neuropsicológicas.

Na área da Orientação Escolar e/ou Profissional, revela motivações inconscientes, conflitos relacionados com a vocação escolar e/ou profissional. Oferece também informações importantes acerca do funcionamento da pessoa em determinadas áreas, revelando também em conjunto com outras técnicas, a confirmação das aptidões. Reconhecendo, por exemplo, que se trata de uma pessoa com níveis elevados de ansiedade, tendência para a depressão ou demasiado perfeccionista, a respectiva orientação vocacional e profissional terá de ter em conta estes detalhes. Por vezes, a prova apresenta indícios de conflito que podem estar na base da indecisão vocacional.

Na área Social, tem sido amplamente utilizada para a selecção de recursos humanos, desenvolvimento de competências e aptidões. Neste sentido, a prova pode ser utilizada no desenvolvimento de competências uma vez que muitas empresas/instituições fazem gestão de carreira com os seus colaboradores. Esta área está normalmente a cargo do departamento de Recursos Humanos e nela trabalham psicólogos (regra geral psicólogos organizacionais ou do trabalho) e técnicos de Recursos Humanos. Na gestão de carreiras, para que haja mobilidade dentro da estrutura hierárquica, é importante explorar competências e saber que “linhas” o psicólogo organizacional deve seguir. Neste sentido, utilizar esta prova vai auxiliar na orientação.

Na área Jurídica, esta prova tem ao longo dos últimos anos contribuído para ajudar nas decisões dos juízes, advogados, ou na orientação de directrizes do tribunal. Quando são solicitadas perícias psicológicas utilizadas judicialmente como um instrumento de natureza psico-sócio-jurídica de acessoria ao tribunal, o Rorschach é um dos instrumentos contemplados. Com base nesta prova conseguimos transmitir informação técnica e especializada sobre as características de personalidade do julgado.

Na área da Educação, revela qualidade nos processos evolutivos de integração das crianças no ambiente que as rodeia, ressaltando as principais defesas e dificuldades, oferecendo directrizes a serem utilizadas pelos psicólogos e educadores.

Não obstante, a peculiaridade dos seus estímulos, a riqueza informativa que gera, a impossibilidade de ser falseado, assim como a possibilidade de integração de dados quantitativos e qualitativos que oferece são, os principais motivos pelos quais se continua a realizar investigações dedicadas à sua eficácia, a mais de 90 anos depois da sua publicação.

 Primeira publicação: http://www.psicologia.pt/artigos/ver_artigo.php?codigo=A0609


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Porquê psicologia? Informações úteis para a sua compreensão

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Sofia Soares Pereira

O que é a psicologia?

Não sendo uma tarefa fácil descrever o que é a psicologia em meia dúzia de palavras, poder-se-á adiantar de uma forma resumida que é, por excelência, a ciência que estuda a relação entre os comportamentos humanos e os seus processos mentais.

O seu método científico está na compreensão da estrutura psíquica do indivíduo na sua interacção consigo e com os outros. A sua intervenção e aplicabilidade são diversas abrangendo várias áreas: clínica, saúde, educação, vocacional e profissional, forense, desportiva, social, organizacional, comunitária, entre muitas outras.

O que é a psicoterapia?

A psicoterapia é um método terapêutico com diversos fins. É utilizada por psicólogos no tratamento de perturbações ou alterações psicológicas como ansiedade, depressão ou qualquer outro tipo de perturbação psíquica. Para além disto, é também através da psicoterapia que é possível obter um melhor e mais profundo auto – conhecimento, aprender a lidar melhor com diversas situações, superar problemas ou bloqueios, entre muitas outras razões. Trabalha-se, sobretudo, para melhor a qualidade de vida da pessoa.

Qual a diferença entre o psiquiatra e o psicólogo?

De uma forma genérica, a psiquiatria é uma especialidade da medicina que considera que as perturbações psicológicas resultam de alterações neuro-químicas. Assim, o psiquiatra prescreve medicação que vai actuar ao nível neuro-químico que por sua vez pode atenuar os sintomas. Pode acontecer, o psiquiatra ter completado a sua formação e intervir, também, a nível psicoterapêutico.

O psicólogo compreende que as alterações psicológicas têm a sua âncora em experiências de vida relacionais, sendo através da intervenção psicoterapêutica que se procura encontrar as causas que deram origem aos sintomas. Uma vez que o tratamento baseia-se na resolução da origem/causa do sintoma, o efeito da psicoterapia torna-se mais eficaz e duradouro.

Por vezes, se necessário, ambas as especialidades trabalham em conjunto o tratamento da mesma pessoa.

Por que motivo devo consultar um psicólogo?

Antes de mais, sugiro que dedique pelo menos um minuto do seu tempo para reflectir no motivo pelo qual está a ler este artigo. Poderá encontrar respostas (ou não) para esta pergunta.

Perante a multiplicidade de situações que ocorrem na vida é natural que a pessoa já tenha sentido ou sinta algum tipo de dor ou sofrimento interno. Socorrer-se de familiares e amigos para ultrapassar estas situações é, de facto, bastante importante. Estas pessoas dar-lhe-ão apoio, mas não estarão a fazer psicoterapia e por este motivo a probabilidade dessas situações do passado ecoarem no presente é elevada. A psicoterapia promove mudanças profundas e duradouras na estrutura psíquica da pessoa.

Como já foi referido, a psicoterapia tem diversas utilidades. A urgência de recorrer a um psicólogo pode estar relacionada com sinais ou sintomas que possam estar a surgir cuja interferência é significativa na vida da pessoa.

Assim, questões relacionadas com tristeza; stress ou ansiedade persistente; isolamento; irritabilidade; agressividade; cansaço sem motivo aparente; falta de concentração; alterações da memória, do sono, da alimentação; pensamentos acerca da morte; enxaquecas frequentes; alergias constantes; infecções entre muitas outras alterações relacionadas com o sistema nervoso central; devem ser ponderadas e sujeitas a avaliação por esta especialidade.

Os psicólogos tratam apenas pessoas doentes?

Com os avanços da ciência conclui-se que a psicoterapia e a própria psicologia vai muito além do tratamento de doentes do foro psíquico. Por isso, as consultas de psicologia não estão apenas direccionadas para pessoas com algum tipo de perturbação psicológica.

No entanto, o estigma associado ainda é muito grande e por esse motivo ainda se confunde muito o psicólogo como alguém que trabalha exclusivamente com doentes do foro psíquico. Existe também a ideia de que as consultas de psicologia são para as pessoas mais frágeis, mas esta ideia é totalmente contrária à realidade. São, de facto, pessoas ditas “fortes” as que têm coragem para desenvolver um processo deste género.

O que se passa nas consultas de psicologia?

Na psicoterapia, o paciente pode falar livremente sobre todo o tipo de assuntos, incluindo assuntos relacionados com a própria relação terapêutica. Por vezes, poderá acontecer haver assuntos que o paciente quer falar mas por algum motivo não o está a conseguir fazer. Neste caso, poder-se-á partir deste ponto e compreender o porquê de não querer abordar determinado assunto com o psicólogo. Em psicoterapia, todas as dificuldades são trabalhadas e em conjunto com o psicólogo podem ser ultrapassadas.

Regra geral, o paciente narra a sua própria história de forma a compreender a causa do aparecimento do sintoma. Este processo de auto – descoberta traz à consciência a compreensão das origens do sofrimento emocional da pessoa, sendo importante para tratar a sintomatologia inicialmente apresentada e sobretudo para a mudança na estrutura psíquica.

As consultas são confidenciais e sigilosas?

Sim. Uns dos princípios éticos mais importantes no exercício da prática clínica do psicólogo referem-se à privacidade e confidencialidade das informações durante a intervenção psicoterapêutica. Esta só faz sentido se a confidencialidade e o sigilo forem regras basilares da relação terapêutica.

Situações excepcionais que deverão ser cuidadosamente conduzidas e avaliadas:

Suicídio ou homicídio: De acordo com o Código Deontológico dos Psicólogos Portugueses, se o psicólogo avaliar que o paciente representa perigo para si ou para terceiros pode quebrar o sigilo apenas para tomar as devidas diligências para protecção do seu paciente ou de terceiros.

Qual a duração e a frequência das consultas de psicologia?

Cada pessoa é única e por isso a duração e a frequência deste processo é ajustável e não pré-definido. Ao longo da psicoterapia e mediante a reacção que esta provoca na pessoa, a duração e a frequência é algo que se irá perceber. Sendo um processo gradual que promove a reflexão contínua sobre a pessoa, a frequência semanal é a mais habitual; o que não significa que em alguns casos a frequência bissemanal ou trissemanal não possa acontecer.  As consultas duram cerca de 50 minutos.

Como escolher um psicólogo?

A escolha do psicólogo é mais importante do que à partida pode parecer. Por um lado, o paciente necessita de partilhar os seus pensamentos e os seus sentimentos e espera ser ouvido e compreendido pelo psicólogo. Por outro lado, o psicólogo através do uso da palavra põe em prática as técnicas psicoterapêuticas da linha para a qual está orientado. A relação que se vai construindo entre psicólogo-paciente é determinante para o sucesso terapêutico, razão pela qual deverá sentir-se bem nesta partilha.

Deve começar por reflectir sobre a possibilidade de fazer um processo de desenvolvimento pessoal deste género. Seguidamente deve reunir algumas informações sobre o assunto. As respostas às questões aqui colocadas são o exemplo daquilo que deve saber.

Ciente da sua decisão, deverá procurar um psicólogo creditado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Assim, há garantias que o psicólogo reúne as condições mínimas para poder exercer a sua profissão com validade técnica e científica.

O horário e o local da sua psicoterapia deverão também ser levados em consideração, já que é importante que consiga desenvolver este processo com a frequência e a duração adequada ao seu caso.

Se tiver alguma outra questão que não tenha sido aqui colocada, pode entrar em contacto através dos meios disponíveis para contacto nesta página.


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Perguntas e respostas sobre Psicoterapia

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Sofia Soares Pereira

O que é a Psicoterapia?

A Psicoterapia é um método terapêutico utilizado por psicólogos no tratamento de perturbações ou alterações psicológicas como ansiedade, depressão ou qualquer outro tipo de perturbação psíquica.

Existem várias abordagens teóricas na orientação de uma psicoterapia. Destacam-se as psicoterapias psicanalíticas, as cognitivo – comportamentais, as sistémicas, as construtivistas, entre muitas outras.

Na psicoterapia de orientação psicanalítica compreende-se que os sintomas de um quadro psicopatológico são a expressão de um sofrimento interno inconsciente. Na psicoterapia, entre muitos outros assuntos, investiga-se a causa do aparecimento do sintoma. É através do tratamento da causa que se resolve o sintoma.

Assim, na psicoterapia não é suficiente tratar o sintoma mas sim resolver a causa.

O processo psicoterapêutico promove um maior auto-conhecimento na medida em que são trabalhadas, entre psicólogo e paciente, experiências que deram origem ao sintoma bem como uma compreensão bastante mais profunda de si próprio.

Este processo de auto – descoberta traz à consciência a compreensão das origens do sofrimento emocional da pessoa, sendo importante para tratar a sintomatologia inicialmente apresentada e sobretudo para a mudança.

Qual a frequência e duração de cada consulta?

As consultas clínicas duram cerca de 45 minutos. A frequência das consultas é sempre acordada entre psicólogo e paciente. No entanto, sendo um processo gradual que promove a reflexão contínua sobre a pessoa, a frequência semanal, bissemanal ou trissemanal é a mais adequada.

Qual a duração da psicoterapia psicanalítica?

Uma vez que à psicoterapia psicanalítica estão subjacentes mudanças bastante profundas na personalidade da pessoa, esta terapia não é de curta duração. Cada pessoa é única e por isso a duração deste processo é ajustável e não pré-definido.

A psicoterapia serve apenas para tratar perturbações psíquicas?

Não. As consultas de psicologia e a psicoterapia não estão apenas direccionadas para pessoas com algum tipo de perturbação psicológica. Existem muitas outras razões para se fazer psicoterapia. Muitas pessoas procuram esta área da Psicologia para obterem um melhor auto – conhecimento, para aprenderem a lidar melhor com diversas situações, para superarem os seus problemas, entre muitos outros motivos.

É acima de tudo uma forte aposta na saúde mental de cada um.

A quem se destina?

A todas as pessoas, de ambos os sexos e de todas as idades: crianças, adolescentes, adultos e seniores.

Medicação e/ou Psicoterapia?

A medicação, por vezes, ajuda no alívio dos sintomas e pode ser um forte aliado no tratamento de algumas perturbações psíquicas. Não nos podemos esquecer que sem medicação os sintomas mais tarde ou mais cedo acabam por regressar, ou seja, não se está a tratar a causa, mas sim o sintoma. A medicação é prescrita por um médico-psiquiatra e a psicoterapia é desenvolvida por um psicólogo-psicoterapeuta. Na psicoterapia procura-se resolver as causas dos sintomas, sendo por isso o seu efeito mais eficaz e duradouro.

Porque é que é importante sentir-se confortável com o psicólogo?

Esta viagem até ao mundo interior de cada um implica entrar em contacto com experiências agradáveis e outras menos agradáveis, pelo que é importante haver disponibilidade para tal, num espaço seguro e confidencial construído na base da relação terapêutica entre psicólogo e paciente. A relação que se vai construindo com o psicólogo é determinante para o sucesso terapêutico, razão pela qual deverá sentir-se bem nesta partilha pessoal.

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

Primeira publicação: http://www.sitiodamulher.com/perguntas-e-respostas-sobre-psicoterapia


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O Medo do Erro na Educação dos Filhos

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Sofia Soares Pereira

O papel dos pais na educação dos filhos tem sido um assunto bastante comentado mas ao mesmo tempo nunca esgotado. Isto acontece porque não há uma receita capaz de ser seguida pelos pais quanto ao que fazer perante determinadas situações que acontecem no desenvolvimento de uma criança.

Constata-se nas consultas clínicas de orientação aos pais um interesse em fazer mais e melhor na educação dos seus filhos. De facto, os pais tentam sempre fazer o melhor que conseguem na educação dos seus filhos. No entanto, as inseguranças que fazem parte dos pais numa educação onde não há receitas a seguir, fazem com que às vezes os pais, como não são perfeitos também cometam erros. A maioria das pessoas lida mal com o erro, esquecendo-se que é através do erro que é possível fazer mais e melhor.

Não é possível crescer e aprender enquanto crianças e adultos sem ter acesso ao erro ou ao engano.

Não havendo receitas para o papel dos pais na educação de uma criança, podemos sim reflectir sobre o investimento em relações/vinculações seguras entre pais e filhos. Se imaginarmos a relação segura como uma corda que por vezes tem de suportar muito peso ou de esticar mas que não é por isso que quebra, conseguimo-nos aproximar do que se entende por relação segura entre pais e filhos.

As relações ou vinculações seguras estabelecem-se numa fase bastante precoce do desenvolvimento do bebé. É na proximidade de contacto entre mãe e bebé, que o bebé explora e se relaciona com o mundo. Quando a vinculação é segura, a criança torna-se mais confiante, mais disponível para resolver problemas que se lhe apresentem, dá mais sentido às suas experiências e é capaz de se relacionar positivamente consigo e com os outros.

Numa fase mais à frente do desenvolvimento da criança, estabelecer relações seguras entre pais e filhos é dar ao erro a oportunidade de se expressar e de se transformar em aprendizagem; é apostar nas mais variadas formas de comunicação na relação com o mundo; é permitir que a criança contacte com a palavra “Não” sem pôr em causa o sentimento que os pais têm por ela; é conseguir que a criança lide com a frustração de não poder fazer, não poder ter, não poder ir, entre outras situações, e que não deixe de comunicar com os pais por isso; é permitir que a criança desenvolva a sua autonomia (na medida das suas capacidades).

Estabelecer relações seguras é permitir que pais e filhos aprendam com os erros e desenvolvam saudavelmente o seu mundo psicoafectivo.

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental (e a dos seus)!

Primeira publicação: http://www.megabebes.pt/megabebes/index.php?option=com_content&view=article&id=103702:o-medo-do-erro-na-educacao-dos-filhos&catid=3:familia&Itemid=108


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A aplicação de regras e limites às crianças

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Sofia Soares Pereira

Uma das dúvidas mais comuns que surgem nas consultas de orientação parental diz respeito à implementação de regras e limites aos filhos.

A aplicação de regras e o reconhecimento dos limites na educação de uma criança está intimamente relacionado com o desenvolvimento da sua saúde mental e o seu bem-estar. Estabelecer regras faz com que a criança saiba exactamente como o mundo onde ela se move funciona. Conviver com regras numa primeira fase dentro do núcleo familiar irá facilitar todo o processo de socialização mais tarde na escola, com os amigos e no futuro na vida profissional e social.

Com regras e limites bem definidos e ajustados à idade, a criança sabe aquilo que se espera dela, aquilo que ela pode ou não fazer, bem como aquilo que ela pode esperar dos pais. Sem regras e sem limites, os níveis de ansiedade da criança disparam por esta não saber o que fazer perante tantas possibilidades de acção. Por exemplo, num passeio a um parque infantil, as regras podem estar no espaço que a criança pode utilizar, não se afastar dos pais, utilizar chapéu para o sol, dar a mão à mãe quando tem de passar a estrada e nunca passá-la sozinha, etc. Sem regras previamente combinadas, a criança não tem estrutura mental para saber que num parque infantil onde os estímulos são mais que muitos aos olhos de uma criança, que pode andar de baloiço e de escorrega mas que não deve tentar subir, por exemplo, a parede de escalada.

As regras devem ser vistas pelos pais como instrumentos pedagógicos e coerentes na educação de uma criança. Não devem ser excessivas nem devem estar em falta e muito menos serem alteradas de repente sem aviso prévio. As regras devem ser coerentes, razoáveis, comunicadas e explicadas às crianças de uma forma muito simples.

Cabe aos adultos darem o exemplo, ou seja, se é regra não atirar lixo para o chão, os pais devem ser os primeiros a ter essa atitude. 

Os pais devem ser firmes e não hesitar perante o cumprimento de regras. As crianças que tentam passar por cima de regras e limites estão apenas a fazer o seu papel, ou seja, a testar os pais. Não é pela utilização de regras que as crianças são infelizes, pelo contrário ganham mais autocontrolo, crescem de uma forma mais segura, estruturada e confiante.

Primeira publicação: http://www.megabebes.pt/megabebes/index.php?option=com_content&view=article&id=103700:a-aplicacao-de-regras-e-limites-as-criancas&catid=2:crianca&Itemid=109


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Ansiedade – É uma bomba-relógio?

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Sofia Soares Pereira

A ansiedade define-se como um conjunto de emoções que desencadeiam respostas psicofisiológicas a um acontecimento considerado ameaçador. Isto é, perante uma situação de stress ou de perigo iminente, a ansiedade ajuda-nos a reagir (defesa e/ou ataque) para a nossa protecção.

Quando estamos perante uma situação que envolve perigo, ficamos em estado de alerta para que nos possamos defender e proteger. Neste sentido, a ansiedade torna-se uma reacção natural.

Ter ansiedade é sinal de que estamos vivos! Não é possível reduzir os níveis de ansiedade a zero (esperamos que isso não aconteça!).

Situações “primeira-vez” como entrevistas de selecção, conhecer alguém, falar em público, nascimento do primeiro filho, entre outras, são, por si só, geradoras de ansiedade.

Podemos tremer das pernas, corar, gaguejar, transpirar por breves instantes, mas sabemos que o nosso corpo irá activar a função reguladora de bem-estar que é denominada por homeostase. Este equilíbrio homeostático traduz-se na capacidade da pessoa conseguir regular os seus níveis de ansiedade e adaptá-los às situações do dia-a-dia. A eficácia desta regulação é determinante para se perceber se se trata de ansiedade normal ou excessiva.

A ansiedade pode ser assim, “tão natural como a sede” ou tão corrosiva como o veneno.

A ansiedade passa a ser um problema quando na realidade não estamos em situações de alerta e os níveis de ansiedade estão tão elevados como se estivéssemos preparados para uma grande catástrofe e se necessário atacar. A taquicardia passa a ser um estado natural do bater do coração, o “nó na garganta” e o “aperto no peito” passam a conviver frequentemente connosco. A ansiedade que seria normal passa a dar o seu lugar à angústia e a angústia é sinónimo de dor.

As pessoas vivem as situações como autenticas “bomba-relógio”. Quando estas alterações teimam em não passar (pelo menos 6 meses) e a pessoa apresenta pelo menos 3 dos sintomas, é sinal que deve procurar ajuda especializada para o seu quadro ansioso.

Felizmente, a verdade é que quem controla a ansiedade é a

própria pessoa e não o contrário!

 

Para isso, existem técnicas de controlo da ansiedade que todas as pessoas possuem de alguma forma dentro de si. Estas técnicas não estão é a ser aproveitadas a benefício do próprio!

 

Quando o equilíbrio homeostático está comprometido, a ansiedade desorganiza-se, descontrola-se e torna-se, por vezes, crónica. Nestas situações, as pessoas sentem preocupações intensas e desadequadas, batimentos cardíacos acelerados, dificuldades na respiração, sensação de “nó na garganta”, elevada sudação, medos variados, emoções intensas, perda de controlo, “aperto no peito”, comunicação acelerada, agitação psicomotora, alterações do sono e alimentação, entre outro tipo de sinais.

25% da população mundial apresenta algum tipo de perturbação da ansiedade

As alterações mais comuns da ansiedade são:

  • Perturbação da Ansiedade Generalizada
  • Perturbação de Pânico
  • Perturbação Obsessivo-Compulsiva
  • Stress Pós-Traumático
  • Fobias Sociais ou Específicas

É comum uma pessoa que apresente alteração da ansiedade, apresentar também sintomas depressivos e vice-versa.

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

Primeira publicação: http://www.sitiodamulher.com/ansiedade-e-uma-bomba-relogio


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Orientação Escolar e Profissional – Quando e porque é que os alunos deverão fazer psicotécnicos?

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Sofia Soares Pereira

A orientação escolar e profissional é um serviço especializado que auxilia o aluno em dois momentos importantes da vida académica do aluno: 9º e 12º ano.

A escolha da profissão é das decisões mais importantes que os alunos fazem no decorrer do seu percurso escolar, pelo que deve ser uma decisão consciente.

Orientação Escolar e ProfissionalPerante a complexidade do sistema educativo português e as várias possibilidades de saídas profissionais que existem os alunos vêem-se muitas vezes indecisos nesta etapa da sua vida académica. A própria realidade em que o país se encontra faz com que esta decisão tenha de ser cada vez mais, uma decisão consciente, estratégica e decisiva no futuro dos jovens.

Normalmente os alunos recorrem a este serviço durante os meses de Março, Abril e Maio para prestação de provas, os conhecidos psicotécnicos, o que não significa que não possam recorrer antes dessa época. Pretende-se com a orientação escolar e profissional, que seja tomada uma decisão consciente da área em que o aluno poderá obter maior satisfação pessoal e académica.

Esta orientação assenta numa decisão baseada em dois pilares: as aptidões e os interesses. As aptidões referem-se às capacidades do aluno face a determinadas áreas num plano de estudos e os interesses referem-se aos gostos por determinadas saídas profissionais.

A aplicação das provas tem a duração aproximada de 3 a 4 sessões. Avaliam-se as aptidões, interesses, personalidade, hábitos de estudo, entre outros. São esclarecidas dúvidas relativamente a planos de estudos e saídas profissionais. No final, os resultados são apresentados ao aluno e pretende-se que este tome uma decisão sobre a área que irá escolher.

Uma boa orientação vocacional é o ponto-chave em que são colocados os alicerces para trilhar o caminho a percorrer até à empregabilidade.

Primeira publicação:  http://www.sitiodamulher.com/quando-e-porque-e-que-o-meu-filho-devera-fazer-psicotecnicos


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12 Dicas para não descuidar a sua Saúde Mental

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Sofia Soares Pereira

Tão ou mais importante que a intervenção é a prevenção! Neste sentido, seguem-se algumas dicas fundamentais para se fazer uma boa manutenção da nossa Saúde Mental. Estas dicas funcionam como prevenção e estão direccionadas a quem já disfrute de boa saúde mental.

1.      Reveja a sua escala de prioridades: Afinal o que é mais importante: estar com as pessoas de quem gosta ou a fazer uma actividade que lhe dá imenso prazer ou passar o fim-de-semana irritada (o) com algo que não fez na sexta-feira e que pode fazer, sem prejuízo, na segunda-feira?

2.      Seja mais assertiva (o): Adopte uma postura assertiva perante os possíveis conflitos que possa ter. Além de reforçar a sua auto-estima, irá certamente aproximar mais as pessoas de si.

3.      Expresse emoções: Permita-se sentir e verbalizar emoções. Não atropele sentimentos e não reprima as suas emoções. Sabia que a ira e a agressividade diminuem de tamanho dentro de nós quando as expressamos através do bom uso da palavra (Ex: “Sinto-me irritado porque…”).

4.      Aprecie os bons momentos: Foque-se e esteja de “corpo e alma” num momento que lhe pode dar prazer. Por outras palavras: Sinta e viva os momentos. É importante ter momentos dedicados unicamente e exclusivamente a si. E, claro, momentos com os outros! Permita-se simplesmente, estar e apreciar.

5.      Sinta-se bem na sua companhia: Sente-se bem quando está sozinha (o)? Faça o teste. É um excelente indicador de boa saúde mental!

6.      Conviva, socialize e elogie os outros: Tire partido da sensação de elogiar os outros. Ser capaz de o fazer é uma virtude!

7.      Postura optimista: Se nada indica que algo possa correr mal, porquê insistir? Optimismo é mais do que meio caminho andado até ao sucesso!

8.      Resolva os problemas um a um: Se estiver insegura (o), saiba que é legítimo pensar antes de decidir alguma coisa. E não é de todo errado voltar atrás se viu que errou.

9.      Diminua experiências que lhe causem stress: Há experiências pelas quais não temos necessariamente de passar para saber o seu resultado. Poupe-se a experiências que por si só, são geradoras de stress e ansiedade.

10.  Sono de qualidade: Identifique o número de horas que necessita dormir para se sentir bem e não abdique delas. Lembre-se que menos de 6 horas por noite num adulto podem provocar alterações variadas a médio-longo prazo. Insónias ou hipersónias (dormir em excesso) são alterações de sono que devem ser analisadas.

11.  Pratique exercício físico e tenha uma alimentação cuidada: Costuma-se dizer ”Mente sã em corpo são”.

12.  Colocar estas dicas em prática!

As dicas acima descritas, como já foi referido, apenas fazem sentido para quem se sente bem. Lembre-se que alguém que tenha o humor deprimido, dificilmente conseguirá realizar com sucesso estas dicas.

A prevenção é, sempre que possível, o caminho certo!

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

Primeira publicação: http://www.sitiodamulher.com/12-dicas-para-nao-descuidar-da-sua-saude-mental


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Depressão – A principal doença do século XXI

Publicado a por
Sofia Soares Pereira

A Depressão é uma doença grave que atinge um número preocupante de pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a depressão é e será a principal doença do nosso século. Os números estimados apontam para que uma em cada quatro pessoas se confronte com esta doença em algum momento da sua vida.

Tristeza, depressividade ou depressão?

Por ser um problema de saúde pública grave, por ser a principal causa de incapacidades nas pessoas, por se manifestar e se mascarar de tantas formas, por se poder correlacionar com outras alterações nomeadamente com a ansiedade, o seu diagnóstico deve ser cuidadoso.

Tristeza não é necessariamente depressão patológica. Sentir tristeza perante um acontecimento justificável é sinónimo de Saúde Mental! Ora vejamos:

Sentir tristeza perante um acontecimento difícil, por exemplo uma perda, é sinal que temos capacidade de fazer um trabalho mental de resposta a essa perda. Nós, psicólogos, falamos em depressibilidade ou depressão reactiva ou ainda se quisermos simplificar em tristeza. Todas as pessoas passaram, passam ou vão passar por momentos de infelicidade (e é suposto que assim seja). Ainda que os sentimentos que acompanham esses momentos sejam difíceis, na tristeza sabemos que são passageiros. A depressão vai mais longe. O que podia ser passageiro instala-se de tal forma que a pessoa fica presa em si mesma sem conseguir se libertar sem ajuda especializada.

O estigma social muito presente e enraizado culturalmente juntamente com a verdadeira falta de conhecimento sobre o que é a depressão, faz com que a pessoa arraste a doença durante muitos anos. Ao contrário do que se pensa, a depressão não atinge apenas “os fracos” e muito menos é suficiente ter apenas “força de vontade” para tratar uma depressão.

A depressão define-se como uma perturbação do humor em que a sua duração e natureza dos sintomas interferem directamente com a saúde e o bem-estar da pessoa. Vivenciar o desespero de uma depressão clínica é esmagador para as pessoas. É estar, como alguns pacientes referem, no “fundo do poço”.

Por último temos o conceito de depressividade. A depressividade refere-se em concreto à existência de traços depressivos numa personalidade. É um estado crónico e latente de depressão que não depende exclusivamente das circunstâncias da vida de cada pessoa, mas sim dos elementos que compõem a sua personalidade.

Quais são então os sintomas da depressão?

• Humor depressivo durante a maior parte do dia;
• Diminuição do interesse e do prazer em todas ou quase todas as actividades;
• Perda ou aumento de peso (sem estar a fazer dieta);
• Insónia ou hipersónia;
• Agitação ou lentidão psicomotora;
• Fadiga ou perda de energia;
• Diminuição do interesse sexual;
• Sentimentos de desvalorização;
• Culpa excessiva ou inadequada (podendo ser delirante);
• Alterações de pensamento, concentração e memória;
• Indecisões constantes e sem razão de ser;
• Pensamentos acerca da morte;
• Tentativa (s) de suicídio.

E os homens também podem ter depressão?

Sim. Homens, mulheres, crianças e idosos. A expressão da doença, tal como já foi referido anteriormente é que pode se manifestar de formas diferenciadas. Regra geral, os homens têm mais dificuldade que as mulheres em aceitar a doença e levam mais tempo a pedir ajuda especializada. Por vezes, a irritabilidade, o cansaço, a insónia e a agressividade podem ser sinais de uma depressão. No entanto, a severidade dos sintomas pode ser mais elevada que nas mulheres, por isso o risco de suicídio nos homens é também mais elevado.

Um aspecto positivo da depressão é que, felizmente, esta é uma doença que tem tratamento.

Nas depressões consideradas moderadas e graves a terapêutica combinada entre antidepressivos e psicoterapia tem-se demonstrado bastante eficaz. A depressão não é apenas um desequilíbrio químico do cérebro. Se assim fosse, os antidepressivos seriam milagrosos e suficientes. A psicoterapia trata o “pano de fundo” que encobre a depressão, por isso é sobretudo a longo prazo e na prevenção de recaídas que ela é eficaz.

No processo psicoterapêutico compreende-se que a sintomatologia de um quadro psicopatológico depressivo é a expressão de um sofrimento interno inconsciente. Trazer à consciência a compreensão das origens do sofrimento emocional, torna-se crucial para reduzir a sintomatologia inicialmente apresentada e sobretudo para a mudança.

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

Primeira publicação: http://consultaclick.pt/blog/2012/01/10/depressao-considerada-a-principal-doenca-do-seculo-xxi/


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Esgotamento, “doença dos nervos” ou depressão? Mulheres são as mais afectadas

Publicado a por
Sofia Soares Pereira

A Organização Mundial de Saúde, prevê que a depressão seja a principal doença do século XXI, superando as doenças cancerígenas e cardíacas. Actualmente estima-se que uma em cada quatro pessoas se confronte com esta doença em algum momento da sua vida. As mulheres estão duas vezes e meia mais propensas a ter esta doença em comparação com os homens.

Frequentemente ouvimos alguém dizer: “estou com um esgotamento” ou “o meu problema é dos nervos”. A verdade é que uma boa parte das pessoas, principalmente as mulheres, que se sentem “esgotadas” camuflam, muitas vezes, uma depressão.

Maria, 38 anos, foi encaminhada pelo seu médico de família para a consulta de psicologia indicando estar com um esgotamento nervoso. As queixas apontavam para fortes dores de cabeça, dificuldade em dormir, sensação de vazio mental, desorientação, sensação de inutilidade, cansaço extremo e choro frequente.

Os sinais do famoso “esgotamento” cruzam-se com os da depressão, por isso, um “esgotamento” é no mínimo um sinal amarelo (a fugir para o vermelho) para perceber que algo não está bem. Esta era a situação de Maria.

Um “esgotamento” não tem de ser à partida, uma depressão considerada grave até porque a depressão manifesta-se e mascara-se de várias formas.

Para além dos sinais psicológicos de que algo não está bem (tais como a tristeza e a sensação de vazio, entre outras), podem surgir outro tipo de sinais através de algumas alterações manifestadas pelo nosso corpo, tais como o aparecimento de dores musculares, dores de cabeça recorrentes, perca/aumento de peso, por exemplo.

Oiça com mais atenção o seu corpo! Traduza o que ele que lhe quer dizer!

A depressão, por ser a principal causa de incapacidades nas pessoas, pelo elevado número de baixas médicas que acarreta e por ser das principais causas de aposentações precoces, não é demais informar e esclarecer quais os sintomas da depressão:

  • Humor depressivo durante a maior parte do dia;
  • Choro frequente;
  • Diminuição do interesse e do prazer em todas ou quase todas as actividades;
  • Perda ou aumento de peso (sem estar a fazer dieta);
  • Insónia ou hipersónia;
  • Agitação ou lentidão psicomotora;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Diminuição do interesse sexual;
  • Sentimentos de desvalorização;
  • Culpa excessiva ou inadequada (podendo ser delirante);
  • Alterações de pensamento, concentração e memória;
  • Indecisões constantes e sem razão de ser;
  • Sistema imunitário enfraquecido;
  • Pensamentos acerca da morte;
  • Tentativa (s) de suicídio.

Como se não bastasse, a melhor amiga da depressão é a ansiedade e vice-versa. Por este motivo, é comum as pessoas que vivenciam depressão terem níveis elevados de ansiedade.

Ao contrário de outras doenças, a depressão tem tratamento!

A eficácia da combinação entre a psicoterapia e os psicofármacos (antidepressivos) tem-se revelado bastante útil no tratamento da depressão, nomeadamente na depressão moderada e grave. Por um lado, a psicoterapia na compreensão mais profunda da causa da depressão, por outro lado os psicofármacos no tratamento neuro químico.

O risco de se optar pela utilização abusiva de antidepressivos é que se está a tratar a depressão superficialmente. É como colocar um “penso rápido” numa ferida activa. Por este motivo é que grande parte do doentes ao deixarem de tomar os “comprimidos milagrosos”, têm enorme probabilidade de recair e normalmente estas recaídas são mais severas.

Por estes motivos, na psicoterapia aprofunda-se de uma forma segura para a pessoa as causas do seu sofrimento emocional. Ao abrigo do sigilo e da confidencialidade são trabalhadas entre psicólogo e paciente questões que originaram a depressão. Olhar de frente para estas causas e compreendê-las internamente faz com que o tratamento da depressão seja assim mais duradouro e que a “ferida activa” seja finalmente estancada.

Não acredite em esgotamentos e muito menos em “doença dos nervos”!

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

Primeira publicação: http://www.sitiodamulher.com/esgotamento-doenca-dos-nervos-ou-depressao-mulheres-sao-as-mais-afectadas


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