{"id":188,"date":"2012-09-30T15:36:00","date_gmt":"2012-09-30T15:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sofiasoarespereira.com\/blog\/?p=188"},"modified":"2016-09-27T23:04:29","modified_gmt":"2016-09-27T23:04:29","slug":"profissao-do-mes-psicologia-na-linha-da-frente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sofiasoarespereira.com\/blog\/profissao-do-mes-psicologia-na-linha-da-frente\/","title":{"rendered":"Profiss\u00e3o do m\u00eas: Psicologia na linha da frente"},"content":{"rendered":"<p><strong>Entrevista para a revista Mais Educativa do m\u00eas de Setembro 2012:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Psicologia <\/strong><strong>na linha da frente<\/strong><\/p>\n<p>Foi desde cedo que Sofia Soares Pereira se come\u00e7ou a interessar pela Psicologia, \u00e1rea em que ainda hoje trabalha &#8211; e com muito gosto. Atendendo a que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade prev\u00ea que a depress\u00e3o seja a principal doen\u00e7a do s\u00e9culo, \u201cn\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que quem devia estar na linha da frente deste enorme problema psicossocial seriam psic\u00f3logos e psiquiatras\u201d, alerta esta profissional.<\/p>\n<p><strong>Quando \u00e9 que percebeu que queria ser psic\u00f3loga?<\/strong><\/p>\n<p>No meu caso, desde cedo comecei a interessar-me pela Psicologia. Na minha adolesc\u00eancia manifestava alguma curiosidade sobre assuntos relacionados com a natureza mental do ser humano. Indagava-me sobre quais as motiva\u00e7\u00f5es que estariam por tr\u00e1s de determinados comportamentos e de determinados pensamentos. Na altura, pouco sabia sobre a fun\u00e7\u00e3o do psic\u00f3logo, mas o que sabia foi quanto bastou para afirmar \u201cVou ser psic\u00f3loga\u201d. Com a decis\u00e3o tomada, comecei a investir em literatura relacionada com estes assuntos. Lembro-me de ler Freud e de ficar com a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o tinha percebido nada.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua forma\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Licenciei-me em Psicologia (5 anos) na Universidade Lus\u00f3fona e iniciei pouco tempo depois a minha pr\u00e1tica cl\u00ednica. Foi com a pr\u00e1tica de consult\u00f3rio que percebi que a Licenciatura foi apenas uma base, desde ent\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua tem sido de extrema import\u00e2ncia. Neste momento, encontro-me a concluir um Doutoramento (6 anos) na \u00e1rea Cl\u00ednica e da Sa\u00fade, na Universidade de Salamanca, e ainda estou em forma\u00e7\u00e3o em psicoterapia psicanal\u00edtica (4 anos) na Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Psicoterapia Psicanal\u00edtica (APPSI). Quando o trabalho desenvolvido pelo psic\u00f3logo segue esta orienta\u00e7\u00e3o, o percurso acad\u00e9mico acaba por ser longo devido \u00e0 natureza do processo psicoterap\u00eautico. Temos, acima de tudo, uma grande responsabilidade em \u2018m\u00e3os\u2019. A pessoa que nos procura apresenta-se muitas vezes num estado de sofrimento mental que condiciona em muito a sua vida. Muitas vezes, n\u00e3o percebe o que se est\u00e1 a passar com ela e precisa de aliviar e tratar a sua dor. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do tratamento da doen\u00e7a mental que nos ocupamos. A psicoterapia \u00e9 tamb\u00e9m o ve\u00edculo que nos conduz a um melhor auto-conhecimento.<\/p>\n<p><strong>Atualmente que tarefas fazem parte do <\/strong><strong>seu dia-a-dia como psic\u00f3loga?<\/strong><\/p>\n<p>Desde h\u00e1 alguns anos estou dedicada \u00e0 Psicoterapia, \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o escolar e profissional de alunos. Em Psicoterapia acompanho pacientes que procuram este tipo de tratamento em casos de ansiedade, fobias, p\u00e2nico, depress\u00e3o, entre outras perturba\u00e7\u00f5es do foro ps\u00edquico; ou pacientes que procuram a Psicoterapia para se conhecerem melhor, para lidarem melhor com algumas situa\u00e7\u00f5es, para se compreenderem e para melhorarem o seu relacionamento com os outros. H\u00e1 v\u00e1rios motivos pelos quais as pessoas procuram Psicoterapia, embora n\u00e3o seja, na maioria das vezes, uma decis\u00e3o f\u00e1cil de tomar. Na avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica dou resposta a casos de pessoas que precisam fazer uma avalia\u00e7\u00e3o deste g\u00e9nero por quest\u00f5es judiciais, por quest\u00f5es de reforma antecipada, entre outros motivos. Na orienta\u00e7\u00e3o escolar e profissional, acompanho alunos em fases decisivas dos seus percursos acad\u00e9micos como o 9\u00ba e o 12\u00ba anos quando se deparam com a \u00e1rea que v\u00e3o seguir em termos acad\u00e9micos e\/ou profissionais.<\/p>\n<p><strong>No seu trabalho, e que a faz sorrir todos <\/strong><strong>os dias?<\/strong><\/p>\n<p>Tenho a grande sorte de trabalhar numa \u00e1rea de que gosto muito e isso faz toda a diferen\u00e7a no meu dia-a-dia. Em contexto psicoterap\u00eautico, aprecio sobretudo a mudan\u00e7a, a evolu\u00e7\u00e3o e o crescimento das pessoas. \u00c9 uma profiss\u00e3o muito gratificante e bastante rica em aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>E o que menos gosta&#8230; Ou n\u00e3o gosta tanto?<\/strong><\/p>\n<p>Da posi\u00e7\u00e3o que a Psicologia ocupa em Portugal, do desconhecimento sobre a \u00e1rea, da falta de respostas ao n\u00edvel da Sa\u00fade Mental e do descr\u00e9dito e desrespeito pelo sofrimento da pessoa que adoece. Com alguma sorte, o paciente procura esta especialidade como das \u00faltimas alternativas (se n\u00e3o a \u00faltima) a ser ponderada. Existe uma tend\u00eancia muito forte para esquecermos que temos um corpo e uma mente que comunicam sem barreiras e que por vezes o adoecer do corpo pode estar associado ao adoecer da mente. H\u00e1 muitas doen\u00e7as que s\u00e3o do foro psicossom\u00e1tico e por isso devem ter o tratamento adequado. Assim, a psicologia devia ser considerada um cuidado b\u00e1sico de sa\u00fade e estar mais acess\u00edvel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p><strong>Que mensagem deixa aos alunos que <\/strong><strong>pensam enveredar por uma carreira <\/strong><strong>ligada \u00e0 Psicologia e est\u00e3o com medo <\/strong><strong>das sa\u00eddas profissionais?<\/strong><\/p>\n<p>A Psicologia como profiss\u00e3o acaba por ser um mundo de op\u00e7\u00f5es dada a sua aplicabilidade. Atualmente, existem v\u00e1rias especializa\u00e7\u00f5es em Psicologia, o que faz com que, mediante essas especializa\u00e7\u00f5es, o psic\u00f3logo possa trabalhar em autarquias, hospitais, centros de sa\u00fade, escolas, empresas, tribunais, pris\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, for\u00e7as de seguran\u00e7a, etc. \u00c9 preciso pensar sobre o que motiva o aluno nesta \u00e1rea; pensar sobre as suas capacidades e dificuldades em lidar com situa\u00e7\u00f5es que fazem parte da \u00e1rea. A forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua torna-se um requisito fundamental, principalmente quando se trata de acompanhamento psicoterap\u00eautico. Aqui, a licenciatura por si s\u00f3, n\u00e3o nos torna psic\u00f3logos e muito menos \u2018mestres\u2019 em Psicologia aos 23 anos.<\/p>\n<p><strong>Mesmo em tempos de crise, precisamos <\/strong><strong>de mais psic\u00f3logos em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>Os psic\u00f3logos fazem cada vez mais falta e n\u00e3o me parece que tenhamos excesso de psic\u00f3logos se proporcionalmente considerarmos o estado da Sa\u00fade Mental em Portugal. O que falta \u00e9 coloc\u00e1-los a exercer as suas fun\u00e7\u00f5es. Portugal \u00e9 dos pa\u00edses com maior taxa de doen\u00e7a mental da Europa. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade prev\u00ea que a depress\u00e3o seja a principal doen\u00e7a do s\u00e9culo. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que quem devia estar na linha da frente deste enorme problema psicossocial seriam psic\u00f3logos e psiquiatras. Ambas as especialidades s\u00e3o por excel\u00eancia destinadas a tratar este tipo de doen\u00e7as. Por isso, os receios que existem atualmente prendem-se mais com o mercado de trabalho em si e com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mico-politica do pa\u00eds. Os alunos que equacionam esta \u00e1rea, ou qualquer outra, devem fazer um balan\u00e7o consciente entre o que os motiva nesta \u00e1rea e as dificuldades gerais do mercado de trabalho. Ainda assim, as dificuldades n\u00e3o se devem constituir como impeditivos do aluno seguir aquilo que gosta. Seremos cada vez melhores naquilo que fazemos, se o fizermos com gosto.<\/p>\n<p>Consulta Online da Revista Mais Educativa:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/issuu.com\/youngdirectmedia\/docs\/revistamaiseducativa-setembro2012\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow nofollow\">http:\/\/issuu.com\/<wbr \/>youngdirectmedia\/docs\/<wbr \/>revistamaiseducativa-setembro20<wbr \/>12<\/a><\/p>\n<p>Consulta em PDF da Revista Mais Educativa:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/media.maiseducativa.com\/revistas\/RevistaMaisEducativa-Setembro2012.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow nofollow\">http:\/\/<wbr \/>media.maiseducativa.com\/<wbr \/>revistas\/<wbr \/>RevistaMaisEducativa-Setembro20<wbr \/>12.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista para a revista Mais Educativa do m\u00eas de Setembro 2012: Psicologia na linha da frente Foi desde cedo que Sofia Soares Pereira se come\u00e7ou a interessar pela Psicologia, \u00e1rea em que ainda hoje trabalha &#8211; e com muito gosto. 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