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Pânico – o “nó na garganta” e o “aperto no peito”

Publicado a por Sofia Soares Pereira

Em Portugal e em todo o mundo as perturbações da ansiedade e as perturbações do humor são as alterações mais comuns que ao longo dos últimos anos se tem tornado mais visível e diagnosticável ao nível da Saúde Mental. Estas são também as principais causas de baixas médicas, incapacidades permanentes ou temporárias, alterações orgânicas, entre outras.

No que se refere à ansiedade, permanecem muitas dúvidas, principalmente quando a pessoa atinge o pico máximo: o ataque de pânico.

Nas urgências hospitalares é comum o ataque de pânico confundir-se, numa primeira instância, com ataque cardíaco. Muitas vezes, a pessoa sente-se ridicularizada sem compreender o que está a acontecer porque após ter tido um ataque de pânico, recebe a informação de que “não tem nada”. Pior do que “ter” alguma coisa que seja visível, é de facto, “não ter nada”. “Não ter nada” é negar que existe vida mental, ou seja, é negar que a mente articula-se com o corpo e que este depende dela. Nestas situações, a mente acaba por conduzir o corpo ao pânico. Os sintomas de um ataque de pânico são bastante severos ao ponto da pessoa pensar que vai morrer. Dura cerca de 10 minutos, durante os quais surgem a maior parte destes sintomas:

  • Palpitações;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Dificuldade em respirar (sensação de nó na garganta);
  • Suores;
  • Tremores;
  • Dor no peito (aperto no peito);
  • Náuseas;
  • Mal-estar abdominal;
  • Ter frio ou calor;
  • Formigueiros;
  • Tonturas, desequilíbrio;
  • Sensação de desmaio;
  • Medo de perder o controlo e de enlouquecer;
  • Medo de morrer.

Durante o ataque de pânico é como se a pessoa entrasse numa outra realidade. Nesta realidade a pessoa sente a maioria dos sintomas acima identificados, atinge o seu pico máximo de ansiedade e passado uns minutos regressa aos poucos à normalidade. Este pico é variável de pessoa para pessoa. Há pessoas cujo seu pico máximo de ansiedade é a dificuldade em respirar; outras que chegam inclusive a desmaiar.

A sensação de “nó na garganta”, “aperto no peito” e o “medo de morrer” são dos sintomas mais apontados pelos pacientes. Com estes sintomas, a pessoa percorre praticamente todas as especialidades à procura de explicações orgânicas para o seu estado. Muitas vezes a psicologia, especialidade que trabalha na relação entre mente e corpo, é a última a ser procurada quando na realidade devia ser das primeiras a ser considerada.  

Uma vez terminado o ataque de pânico e devido à sua severidade, o principal medo que a pessoa tem é de voltar a ter outro. Muitas vezes, é aqui que surgem comportamentos de evitação. É frequente a pessoa evitar ir a determinados locais, deixar de fazer algumas coisas que antes fazia, deixar de conduzir, não sair à rua, deixar de trabalhar, etc.

Estas alterações da ansiedade são altamente debilitantes e interferem directamente no dia-a-dia da pessoa.

O agravamento da ansiedade está relacionado com inúmeros factores psico-emocionais. Geralmente as pessoas com níveis elevados de ansiedade vivem a vida a 100 km/h, recusam parar para pensar sobre si e têm dificuldade em expressar os seus sentimentos e emoções de forma adequada. Cria-se assim um distanciamento muito grande entre as emoções que a pessoa demonstra ter e aquelas que coabitam dentro dela.

Na psicoterapia procura-se compreender quais os factores psico-emocionais que estão associados ao pânico. Trazer à consciência quais as origens deste sofrimento emocional torna-se fundamental para reduzir e tratar a sintomatologia que é visível no ataque de pânico.

Cuide de si, valorize a sua Saúde Mental!

 

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10 comentários para Pânico – o “nó na garganta” e o “aperto no peito”

  1. maria inês Trigueiro Diz:

    Eu sinto isto que escreveu à muitos anos e não me consigo curar, tomo antidepressivos à mtos anos, preciso de ajuda, quanto leva de consulta, se calhar mora longe de mim?

    • Sofia Soares Pereira Diz:

      Cara Inês Trigueiro,
      Irei enviar-lhe por email os contactos das clínicas onde exerço a minha profissão. Se for longe do local onde mora, aconselho a procurar um (a) psicólogo (a) perto do local da sua residência.
      Cumprimentos,
      Sofia Soares Pereira

  2. rogerio dias dos santos Diz:

    ola
    eu tenho todos os sintomas prescrito assina, e nao tenho controle de tudo isso?eu ja fui parar no hospital penssando que era problema de coraçao,fiz todos os exames de coraçao e o medico me reponde que eu nao tenho nada?achei estranho? depois conforme o tempo foi passando eu fui descubrindo o que é!!!começei a ter sindrome do panico a 3 anos e ate hoje nao achei soluçao?que estranho sao sintomas realmente que agente vive uma outra realiade depois de alguns minutos agente volta a vida real,tenho todos os dias,e nao tenho controle?o medico me indicou um piscologo,ja fiz todos os exames nescessarios e nao deu nada? que coisa estranha?alguen poderia me dar alguns consselhos eu agradeço obrigado

    • Sofia Soares Pereira Diz:

      Bom dia,
      Agradeço o seu contacto. Aconselho a procurar um psicólogo para desenvolver uma psicoterapia adaptada ao seu caso. Uma vez que o que descreve compromete a sua saúde mental, os exames que fez não irão acusar nada.
      Cumprimentos,
      Sofia Soares Pereira

  3. Gustavo Diz:

    Olá,
    Comecei a ter os sintomas do Pânico não faz 1 mês, tenho uma vida super agradável e minhas preocupações é muito pequena comparada ao restante da população. Minha dúvida é, Como isso surge? Á explicação de como e porque o Pânico surge?

    • Sofia Soares Pereira Diz:

      Estimado Gustavo,

      O pânico pode surgir por vários motivos. Não há uma causa padronizada que se aplique a todos os casos. Deverá contudo, procurar perceber em si o que está na origem dos seus sintomas. A psicoterapia é um bom meio para se obter esse auto-conhecimento.
      Cumprimentos,
      SSP

  4. Carla Maia Diz:

    Olá,

    Tive minhas primeiras crises no inicio desse ano e apos realizar todos os exames procurei um psiquiatra. comecei a tomar rivotril e sertralina de 100mg. apos alguns meses parei os remedios por conta própria e os sintomas voltaram. Procurei uma terapia (TCC) estilo de comportamental mas nao gostei porque não acreditava nos exercicios pois quando fazia não dava resultado. Gostaria de saber um pouco mais sobre a psicanalise. Sou de Salvador se puder indicar alguem agradeço!

    Grata,

    Carla Maia

    • Sofia Soares Pereira Diz:

      Estimada Carla Maia,

      A psicanálise é um método terapêutico que visa ajudar o paciente a compreender melhor o seu funcionamento mental e assim resolver os seus conflitos internos. É um método bastante eficaz no tratamento de várias alterações psíquicas, entre elas o pânico, a depressão, etc. Lamento, mas não lhe consigo dar referências de psicanalistas em Salvador. Aconselho a pesquisar uma Sociedade / Instituto de Psicanálise (estão espalhados pelo país) e peça aí referências para a sua localização.
      Cumprimentos,
      Sofia Soares Pereira

  5. Maria Nogueira Diz:

    Olá
    Procurava informação para algo estranho que se passou comigo ontem,e os sintomas trouxeram-me até aqui,realmente,sem que nada o fizesse prever comecei a sentir uma sensação de aperto na garganta,na cabeça,depois irradiou para as costas e mal conseguia respirar,tudo isto acompanhado de suores,abri a janela,fui tentando respirar, e como veio assim passou,fica de tudo isto um receio que volte a acontecer… pode ter sido um ataque de pânico??desde já o meu obrigado.

    • Sofia Soares Pereira Diz:

      Estimada Maria Nogueira,

      O que descreve pode ter várias interpretações. Uma delas pode ser o pânico. Procure uma avaliação mais detalhada do seu historial clínico.
      Cumprimentos,
      Sofia Soares Pereira

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